Porque falham muitos sistemas de controlo da qualidade com visão artificial – e como evitá-lo?

A visão artificial tem ganho cada vez mais relevância na indústria transformadora, sendo uma tecnologia fundamental para alcançar os objetivos de qualidade zero defeitos, maior produtividade e redução de custos operacionais.

No entanto, algumas empresas que investem nestes sistemas deparam-se com uma realidade frustrante: as implementações não atingem os resultados esperados, gerando custos adicionais e resistência por parte das equipas.

Porque é que isto acontece?

Esta é a pergunta a que procuramos responder neste artigo.

Porque falham muitos sistemas de visão artificial?

Existem várias causas possíveis para o insucesso dos projetos de implementação de sistemas automáticos para inspeção visual da qualidade. Abaixo, descrevemos as principais a que devemos estar atentos:

  •  Definição incorreta de requisitos

Um dos erros mais comuns é iniciar o projeto sem uma definição clara e realista dos objetivos. Critérios de qualidade mal traduzidos em parâmetros técnicos ou a ausência de um estudo de viabilidade podem comprometer todo o sistema.

  •  Seleção incorreta da tecnologia

Nem todos os desafios podem ser resolvidos com a mesma abordagem. A escolha do tipo de sensor (2D, 3D, térmico, hiperespectral, etc.) e da iluminação (luz visível, infravermelha, UV, difusa, coaxial, entre outras) deve estar diretamente alinhada com o tipo de defeito a detetar, as características do produto e as condições do ambiente produtivo. A seleção inadequada leva a sistemas incapazes de distinguir defeitos críticos ou a elevados índices de falsos positivos ou negativos.

  •  Condições de iluminação e ambiente

A visão artificial depende de imagens consistentes e de alta qualidade. Iluminação instável, reflexos, poeiras, vibrações ou variações de temperatura são fatores que podem afetar a fiabilidade da inspeção.

  •  Variabilidade do produto

Muitos projetos falham porque o sistema foi treinado com amostras insuficientes ou pouco representativas. Se as variações naturais do processo produtivo não forem consideradas, o sistema tende a gerar falsos positivos ou negativos.

  •  Integração deficiente com sistemas existentes

Para tirar o máximo proveito da tecnologia, um sistema de visão artificial não deve funcionar de forma isolada. A falta de articulação com PLCs, sistemas mecânicos, robôs ou sistemas MES impede de tirar o máximo partido de uma solução integrada, tanto ao nível da eficiência e rapidez do processo, como ao nível do tratamento dos dados gerados.

  •  Falta de manutenção e atualização

Instalar e esquecer é um erro frequente. Sem calibração periódica, limpeza das lentes, troca de componentes do sistema de iluminação, entre outras boas práticas, o desempenho do sistema degrada-se. Também quando haja alterações ao produto ou ao processo de fabrico, a atualização do sistema pode ser necessária para considerar eventuais variações do produto, ou parametrizar novos produtos e critérios de aceitação.

  •  Gestão da mudança organizacional

Mesmo o melhor sistema falha se as pessoas não estiverem preparadas para o usar. A ausência de formação dos operadores, a resistência em confiar na automação e a falta de indicadores claros para medir ganhos são barreiras comuns.

O impacto de uma implementação falhada

Quando um sistema de visão artificial não cumpre a sua função, os efeitos negativos multiplicam-se:

  •  Perda direta do capital investido numa tecnologia que não é adotada.
  •  Custos acrescidos com retrabalho, obrigando a reinspecções manuais e duplicação de tarefas.
  •  Custos resultantes da rejeição de falsos positivos.
  •  Reclamações de cliente e penalizações resultantes da expedição de falsos negativos.
  •  Perda de eficiência da linha de produção, devido a paragens para ajustes ou falsas rejeições.
  •  Quebra de confiança da equipa em relação à tecnologia de visão artificial.

Como garantir o sucesso de um projeto de visão artificial

Existe um conjunto de boas práticas que podem minimizar a probabilidade de uma implementação falhada:

  •   Estudos de viabilidade bem estruturados: Testar com amostras reais e validar condições de iluminação e algoritmos antes da instalação.
  •  Controlo rigoroso da iluminação e ambiente: Projetar de raiz uma iluminação e captação de imagens estáveis, considerando os fatores ambientais desde o início.
  •  Dados e amostras representativas: Garantir que os casos limite estão incluídos no treino do sistema e atualizar continuamente a base de dados.
  •  Integração robusta: Assegurar comunicação com PLCs, robôs, e outros sistemas de gestão, testando o sistema em condições reais de produção.
  •  Manutenção e atualização contínuas: Definir e implementar planos preventivos de calibração, monitorização de desempenho e revisões periódicas.
  •  Formação e envolvimento da equipa: Capacitar operadores e responsáveis da qualidade para interpretar os resultados e agir de forma adequada.

A abordagem da INTROSYS

Na INTROSYS, acumulamos mais de 20 anos de experiência em automação e integração de sistemas industriais, com forte presença no setor automóvel e transformador.

A nossa abordagem end-to-end garante que cada projeto de visão artificial é pensado de forma estratégica e executado com rigor, passando por cinco etapas complementares:

ANÁLISE  →  IMPLEMENTAÇÃO  →  INTEGRAÇÃO  →  FORMAÇÃO  →  SUPORTE

  •   Avaliação do produto, do tipo de defeitos, das condições do ambiente produtivo, dos requisitos de rastreabilidade e de integração bem como da necessidade de módulos análise estatística.
  •   Realização de provas de conceito (POC) para validar antecipadamente se a tecnologia responde ao objetivo definido.
  •   Seleção da tecnologia mais adequada para cada caso.
  •   Desenvolvimento de algoritmos específicos para responder a casos de inspeção mais desafiantes, adaptados à realidade de cada cliente.
  •   Configuração e parametrização do sistema de visão com base em amostras representativas, incluindo casos limite.
  •   Montagem e teste do sistema em ambiente controlado antes da entrada em linha.
  •   Implementação de soluções flexíveis, assegurando a escalabilidade a longo prazo.
  •   Capacidade técnica para integrar com PLCs, robôs industriais e sistemas MES/ ERP/ SCADA.
  •   Desenvolvimento de soluções estáveis e escaláveis, testadas em condições reais de produção.
  •   Arquitetura pensada para garantir baixa latência e alta fiabilidade, mesmo em linhas de ciclo rápido.
  •   Formação prática adaptada às equipas de operação, manutenção e qualidade.
  •    Capacitação para interpretar alarmes, relatórios e resultados de inspeção.
  •   Desenvolvimento da autonomia interna para ajustes básicos, garantindo maior eficiência no uso da solução.
  •   Acompanhamento após a instalação, com monitorização de desempenho e apoio técnico sempre que necessário.
  •   Atualizações de algoritmos e reconfiguração de parâmetros para acompanhar novos produtos ou requisitos de qualidade.
  •   Planos de manutenção preventiva e calibração periódica para garantir desempenho constante.

Para responder aos desafios de inspeção mais exigentes, a INTROSYS desenvolveu um software proprietário – iSent®, criado para assegurar a flexibilidade, fiabilidade e escalabilidade das soluções implementadas.

Desta forma, garantimos que os sistemas de visão artificial fornecidos não só cumprem, como superam as expectativas dos nossos clientes.

Conclusão

A maioria das falhas em sistemas de visão artificial não se deve a limitações da tecnologia, mas sim a erros de planeamento, integração e gestão. Com a abordagem certa, é possível transformar a visão artificial num verdadeiro motor de qualidade, produtividade e sustentabilidade industrial.

Saiba como a INTROSYS pode apoiar o seu próximo projeto de visão artificial.

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