Transformar Qualidade numa Vantagem Competitiva

A nível global, indústrias como a alimentar, farmacêutica, cosmética, bens de consumo e indústria química enfrentam alterações profundas para se manterem competitivas, cumprirem regulamentações cada vez mais exigentes e responderem a um mercado em rápida evolução. No meio desta complexidade, um fator frequentemente subvalorizado é a qualidade, que é sobretudo encarada como um meio para cumprir certificações e requisitos legais, em vez de ser considerada como um fator estratégico de diferenciação e criação de valor.

Em paralelo a estas alterações no mercado, observa-se uma mudança clara nos comportamentos dos consumidores, existindo uma crescente preocupação com segurança, transparência e confiança nos produtos, o conhecido “votar com a carteira”, está a penalizar cada vez mais marcas que não garantem consistência e qualidade dos seus produtos. Neste contexto a perceção de qualidade tornou-se tão relevante quanto a qualidade do próprio produto.

Estes fatores, aliados a constrangimentos verificados no presente, como cadeias de abastecimento cada vez mais complexas, cadências produtivas elevadas, maior personalização de produtos e exigências regulamentares crescentes, fazem com que falhas no processo de embalamento tenham consequências cada vez mais severas. Entre estas destacam-se recall de produtos, bloqueios alfandegários, penalizações contratuais, perda de acesso a grandes clientes e danos de reputação duradouros, com impacto direto na sustentabilidade e competitividade dos negócios.

Desafios nas Indústrias

Perante este cenário, surgiu naturalmente uma vasta oferta de potenciais soluções, como por exemplo sistemas de inspeção automáticas. No entanto, a maioria das soluções atualmente implementadas operam de forma reativa e localizada limitando-se à verificação pontual da conformidade, sem gerar inteligência de processo, reforçando a visão ainda predominante no setor, onde a qualidade é vista essencialmente como um custo inevitável, e não como uma ferramenta estratégica de controlo, otimização e diferenciação.

Este desafio é transversal a vários setores industriais, nomeadamente:

  • Farmacêutica e dispositivos médicos, onde a precisão da rotulagem e a integridade da embalagem são críticos para a segurança do paciente e para a conformidade regulamentar
  • Cosmética e bens de consumo, onde a embalagem influencia diretamente a perceção de qualidade e a decisão de compra
  • Indústria química, onde erros de rotulagem ou falhas de selagem representam riscos de segurança e incumprimento legal

Em todos estes contextos, existe uma procura crescente por soluções que ultrapassem a simples deteção de defeitos, evoluindo para sistemas capazes de prevenir problemas, reduzir desperdício e estabilizar o processo produtivo, tornando-o mais previsível, controlável e fácil de monitorizar.

Tecido Industrial Nacional

Em Portugal, estas pressões globais são amplificadas pelas características do tecido industrial nacional. A maioria das empresas são PME, frequentemente orientadas para a exportação, com margens reduzidas, elevada diversidade de produtos e forte dependência de grandes clientes internacionais. Neste contexto, falhas no embalamento acabam por ter um impacto desproporcional:

  • Um lote de baixa qualidade pode comprometer encomendas inteiras;
  • Devoluções representam perdas financeiras significativas;
  • Ocorrência de não conformidades junto do cliente coloca em causa relações comerciais críticas.

Apesar destes desafios, muitas empresas portuguesas continuam a depender de processos de inspeção manuais ou sistemas automáticos pouco flexíveis, difíceis de adaptar à variabilidade real dos produtos e das embalagens produzidas. Esta limitação compromete a escalabilidade dos processos produtivos, a automação e competitividade dos produtos produzidos.

Indústria Alimentar Portuguesa

Este cenário é ainda mais crítico na indústria alimentar portuguesa, onde os problemas de embalagem se tornam particularmente evidentes devido à perecibilidade dos produtos. Setores como charcutaria, carnes fatiadas, pescado, refeições prontas e produtos refrigerados operam com:

  • Elevada variabilidade de produto;
  • Embalagens sensíveis e frágeis;
  • Requisitos rigorosos do retalho e mercados de exportação;

Isto na prática traduz-se frequentemente em:

  • Datas de validade e códigos de lote mal impressos ou ilegíveis;
  • Rótulos deformados ou mal posicionados, podendo ocultar alergénicos ou outras informações críticas;
  • Defeitos de selagem que reduzem significativamente o tempo de vida útil do produto;

Estes problemas não só aumentam o desperdício, como podem levar a situações em que o produto já deteriorados chegam ao consumidor final. Além disso, a perceção de qualidade por parte do cliente é fortemente influenciada pela embalagem: falhas visíveis são frequentemente interpretadas como indício de problemas no próprio produto.

Solução Introsys

Perante este desafio, a Introsys, através da expansão da sua plataforma iSent® e no âmbito do projeto Produtech R3, implementou um sistema piloto numa linha de presunto fatiado, com o objetivo de avaliar rotulagem e selagem num sistema único, sendo o mesmo concebido para a elevada variabilidade de produtos e clientes, funcionando como uma primeira iteração em ambiente controlado de um sistema unificado de qualidade, passível de ser alargado a outros processos industriais.

Este sistema piloto permitiu demonstrar a possibilidade de soluções de qualidade que permitem:

  • Centralizar a informação de qualidade;
  • Integrar com sistemas existentes de alto nível (ERP, MES);
  • Integrar com linhas de produção já existentes;
  • Extrair dados de processo com vista à introdução de funcionalidades preditivas;

Resultando em benefícios concretos como:

  • Iniciar implementações de forma gradual, sem investimentos disruptivos;
  • Obter resultados visíveis e mensuráveis, num curto espaço de tempo;
  • Escalar de forma controlada, linha a linha, produto a produto e processo a processo;
  • Reduzir desperdício e necessidade de retrabalho;
  • Minimizar paragens e bloqueios;
  • Aumentar a confiança dos clientes;
  • Garantir maior previsibilidade do processo produtivo;

E mais importante assegura que produtos de qualidade superior e consistentes chegam ao mercado.

Globalmente, o objetivo final destes sistemas é mudar o paradigma existente, deixando de encarar a qualidade apenas como um meio de cumprir certificações e passando a transformá-la num fator real de competitividade e diferenciação. O que antes era um ponto de risco torna-se, assim, um ativo estratégico para a competitividade e para o Zero Defeito das empresas, existindo um interesse forte da Introsys em integrar esta mudança de paradigma. Como a Introsys é certificada pelo Selo ID: Reconhecimento de idoneidade para a prática de atividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D), certifica a competência de uma entidade para realizar atividades de I&D nesta área (https://ani.pt/wp-content/uploads/2025/10/Lista-Entidades-Reconhecidas-ID_22_10_2025.pdf), os seus clientes podem deduzir os custos com projetos de I&D realizados na área dos zero defeitos no IRC através da candidatura a SIFIDE (https://ani.pt/sifide-sistema-de-incentivos-fiscais-a-ied-empresarial/).